Um coletivo de partidos políticos da Guiné-Bissau expressou sua insatisfação com o processo de transição e a elaboração da nova Constituição, afirmando que o documento foi redigido sem a participação da sociedade civil. Em uma carta ao Presidente de transição, general Horta Inta-a, os partidos destacam a falta de um debate nacional, o que compromete a legitimidade do referendo agendado para 30 de agosto. Eles argumentam que a adoção de uma nova Lei Fundamental deve permitir que os cidadãos estudem o texto com pleno conhecimento de causa. Os partidos também criticam o clima de restrições que afeta a liberdade de expressão e reunião política, tornando impossível a realização de um referendo justo e pacífico. Desde o início do ano, as autoridades de transição impuseram medidas que esvaziaram o debate democrático, impedindo discussões públicas sobre o novo projeto constitucional. Como forma de reverter o que consideram uma “deriva autoritária”, os partidos exigem o levantamento imediato das proibições que limitam as liberdades fundamentais e pedem a suspensão do calendário atual do referendo. Eles ressaltam que a própria legislação do país impõe restrições à realização de consultas populares durante a época das chuvas, que ocorre entre maio e outubro. A carta foi assinada por representantes de várias forças políticas sem assento parlamentar e entregue formalmente na Presidência da República.