Amândio Barbosa Vicente, presidente do Partido Popular (PP), afirmou que a acusação contra o primeiro-ministro Francisco Carvalho representa um avanço significativo no combate à corrupção em Cabo Verde, embora enfatize a importância da presunção de inocência. As alegações envolvem ilícitos criminais ocorridos entre 2020 e 2024, período em que Carvalho era presidente da Câmara Municipal da Praia. Vicente criticou a corrupção que, segundo ele, tem permeado os governos do país nos últimos 50 anos, e destacou que tanto o MpD quanto o PAICV estiveram envolvidos em práticas questionáveis que deveriam ter sido mais rigorosamente investigadas pela justiça. O líder do PP argumentou que a igualdade perante a lei deve ser um princípio fundamental, independentemente do cargo ocupado por um indivíduo. Ele expressou sua crença de que o primeiro-ministro deve continuar no cargo enquanto o processo judicial estiver em andamento, ressaltando que ainda não há uma decisão judicial que comprove a culpa de Carvalho. Vicente acredita que o andamento do processo não fragiliza a democracia, mas sim a fortalece, ao reforçar a independência do sistema judicial. Além disso, Vicente apontou a necessidade de maior transparência na gestão de bens públicos e criticou a falta de rigor em relação a práticas de corrupção. Ele concluiu que Cabo Verde ainda tem um longo caminho a percorrer na luta contra a corrupção e que a justiça deve ser imparcial em relação a todos os políticos, independentemente do partido a que pertencem. A Procuradoria-geral da República anunciou que o Ministério Público apresentou acusações contra quatro indivíduos, incluindo Carvalho, e solicitou uma indemnização civil significativa em nome do Estado e do Município da Praia.