No seu relatório de 2025, a Autoridade Reguladora para a Comunicação Social (ARC) revelou um caso de interferência do Conselho de Administração da RTC na Direcção da Televisão de Cabo Verde (TCV), comprometendo a autonomia editorial do órgão. A ARC considera que este é um conflito sem precedentes no país, originado por uma queixa da TCV contra o CA da RTC, que impediu a realização de um programa sem justificação. A queixa resultou na condenação da RTC a pagar uma coima de 350 mil escudos. A ARC sublinha a importância da liberdade de programação e da autonomia editorial, que não podem ser restringidas, dado que a TCV é protegida por um estatuto editorial e pela escolha pública dos seus diretores. O relatório também aponta para sinais de alerta, como interferências editoriais e práticas intimidatórias que levaram a sanções disciplinares contra a diretora da TCV. Além disso, o relatório menciona tentativas de intimidação a jornalistas de outros órgãos de comunicação, destacando processos judiciais contra dois jornalistas por alegada violação do segredo de justiça. A ARC critica a contradição nas normas legais que afetam a atuação dos jornalistas, evidenciando a fragilidade do setor da comunicação social em Cabo Verde, que enfrenta dependência do Estado e um mercado publicitário limitado.