A lixeira municipal de São Vicente tem se tornado um local de sobrevivência para muitos habitantes, que buscam restos de comida e objetos que possam ser vendidos. Joana, uma mulher de 55 anos, é mãe de cinco filhos e vive há décadas à sombra da lixeira, onde encontra alimentos e materiais recicláveis para sustentar sua família. Ela relata ter visto horrores ao longo dos anos, incluindo a descoberta de bebês mortos entre os resíduos. Nigel, que começou a frequentar a lixeira aos 10 anos, também depende desse espaço para garantir o sustento. Ele recorda que, mesmo em tempos difíceis, conseguia alimentar seu filho com o que encontrava ali. A lixeira é um local onde as pessoas tentam encontrar o que podem para sobreviver, mesmo que isso signifique lidar com a degradação e o perigo. 'Chefinho', um jovem de 25 anos, também faz parte desse ciclo de sobrevivência. Ele começou a frequentar a lixeira ainda criança e, apesar das dificuldades, consegue encontrar o que precisa para viver. Todos eles compartilham o desejo de uma vida melhor, mas reconhecem que, por enquanto, a lixeira é a única opção disponível. Embora a situação seja desesperadora, há histórias de superação, como a de Yakouba Bamba, que, após passar anos na lixeira, conseguiu se tornar empresário. A luta pela sobrevivência na lixeira de São Vicente é um reflexo das dificuldades enfrentadas por muitos na sociedade cabo-verdiana.