O Ministério da Família, Inclusão e Desenvolvimento Social de Cabo Verde executou, entre janeiro e maio de 2023, 907 milhões de escudos dos 1,288 bilhões previstos no Orçamento do Estado para benefícios sociais e reabilitação habitacional. Este montante representa mais de 70% da dotação anual, utilizada antes das eleições legislativas de 17 de maio, deixando apenas cerca de 380 mil contos para o novo governo até o final do ano. Um dos pontos mais críticos foi a rubrica de Apoio à Reabilitação Habitacional, que tinha uma dotação de 100 mil contos para todo o ano de 2026, mas foi totalmente utilizada em transferências para beneficiários antes das eleições. O ministério, sob a liderança de Fernando Elísio Freire, autorizou transferências significativas em um curto período, levantando suspeitas sobre a utilização dos recursos para influenciar o resultado eleitoral. Além disso, uma parte considerável dos recursos foi direcionada para a distribuição de cestas básicas, com cerca de 90 mil contos disponibilizados para apoio alimentar. A documentação revela que muitos beneficiários não estavam inscritos no Cadastro Social Único, o que levanta questões sobre a transparência e a equidade na distribuição dos apoios. O estabelecimento comercial Khym Negoce, que forneceu produtos alimentares, também foi mencionado em denúncias de compra de votos durante a campanha eleitoral. As autoridades chegaram a fechar temporariamente a loja para investigações, destacando a necessidade de maior vigilância sobre a utilização de programas sociais em períodos eleitorais.