O Governo de Cabo Verde comprometeu cerca de 190 mil contos em contratos para assegurar a operacionalidade do avião King Air 360ER, utilizado pela Guarda Costeira para vigilância marítima e operações de busca e salvamento. A análise de documentos oficiais revela que cinco contratos distintos foram celebrados para garantir assistência técnica, manutenção, consultoria e formação, mas a necessidade de tantos contratos levanta dúvidas sobre os custos envolvidos. Os documentos indicam um custo anual de operação estimado em cerca de 103.300 contos, o que é consideravelmente inferior aos compromissos financeiros assumidos. A diferença de aproximadamente 85 mil contos sugere que a operação do King Air pode estar a ser gerida de forma ineficiente, com a contratação de várias entidades para serviços que poderiam ser realizados por uma única. Além disso, o financiamento para as operações do King Air provém de várias fontes, incluindo o Orçamento do Estado e receitas próprias. No entanto, há desconfiança sobre a veracidade das receitas próprias, uma vez que o King Air realizou apenas 24 evacuações até agora. O Ministério da Saúde também tem dívidas relacionadas a evacuações médicas, o que complica ainda mais a situação financeira. Os contratos incluem um acordo significativo com a empresa norte-americana MAG Aerospace, responsável por apoio técnico e formação, que representa mais de 80% do valor total dos compromissos. Outros contratos envolvem serviços de engenharia e consultoria, mas todos os compromissos financeiros ainda não foram liquidadas, o que significa que o Ministério da Defesa terá que arcar com pagamentos futuros.