No dia 31 de Julho, terá lugar o primeiro debate sobre o Estado da Nação na nova legislatura, um evento inédito que ocorre logo após a aprovação da moção de confiança. Este debate poderá ser uma oportunidade para o governo delinear suas prioridades e os recursos que necessita mobilizar, especialmente com a apresentação do orçamento retificativo. A oposição, por sua vez, deverá concentrar-se mais nas discussões sobre o futuro do país do que na defesa do passado, evitando repetir argumentos da campanha eleitoral anterior. O relatório que servirá de base para o debate aponta para um crescimento real do PIB de 5,8% em 2026, com uma inflação projetada de 2,3% e uma taxa de desemprego reduzida para 6,2% em 2025. As reservas de divisas estão em um nível que assegura 8,4 meses de importações, e a dívida pública deverá cair de 101,1% do PIB em 2025 para 94,1% em 2026. Se esses dados forem aceitos, o debate poderá ser construtivo, focando nas prioridades do governo e nos mecanismos para garantir serviços gratuitos na educação, saúde e transportes. A percepção atual do estado do país difere significativamente daquela que predominava há dois meses, quando a situação era vista como caótica. Apesar de problemas em áreas como transporte interilhas e serviços essenciais, a normalidade parece ter sido restaurada após as eleições, com salários e pensões sendo pagos e instituições funcionando adequadamente. A indignação e o ressentimento que dominaram as redes sociais parecem ter sido parte de uma estratégia eleitoral, criando uma imagem distorcida da realidade do país.