No contexto das cidades de Cabo Verde, Elias Nordheim destaca a relevância da luz pública como um símbolo de presença e cuidado do Estado. Ele argumenta que a insegurança não é apenas uma questão de policiamento, mas sim uma fratura moral que surge da falta de vínculos entre as pessoas. A iluminação urbana, portanto, torna-se uma declaração política que promove a responsabilidade coletiva e a confiança na comunidade. Nordheim observa que a verdadeira segurança deve ser construída através de relações interpessoais e da presença visível das autoridades. A figura do polícia de proximidade deve evoluir de um vigia distante para um guardião relacional, que compreende as dinâmicas sociais e atua de forma preventiva. Essa transformação é crucial para que a comunidade possa respirar e prosperar, longe do medo e da marginalização. A crónica enfatiza que a luz não é apenas uma questão física, mas uma forma de responsabilidade compartilhada entre o Estado e os cidadãos. A interação entre a iluminação e a limpeza urbana, bem como a presença relacional, são fundamentais para desarmar conflitos e inspirar confiança. Assim, a ética da proximidade se torna um pilar essencial para a segurança e a dignidade nas cidades.