Na sua obra, Michael Sandel revisita o ideal meritocrático, questionando a noção de que o sucesso é exclusivamente resultado do esforço individual. Ele argumenta que a meritocracia, enraizada na ética protestante, ignora fatores como sorte e contexto social que influenciam o destino de cada pessoa. Sandel explora como essa ideologia se tornou predominante nas sociedades contemporâneas, especialmente sob a influência de líderes como Reagan e Thatcher, que promoviam a responsabilidade individual em detrimento da solidariedade social. O autor destaca que a crença na meritocracia leva a uma visão distorcida do sucesso, onde a prosperidade é vista como uma recompensa do mérito pessoal, desconsiderando as desigualdades sociais e as oportunidades desiguais. Ao longo do livro, Sandel discute temas como justiça, moralidade e a obsessão pelo sucesso académico, especialmente no acesso a universidades de elite. Sandel também analisa as reformas económicas de Deng Xiaoping e as políticas de liberalização de Thatcher e Reagan, mostrando como a retórica da responsabilidade individual alterou a percepção do Estado-providência. Ele critica a ideia de que o bem-estar deve ser uma responsabilidade exclusivamente individual, destacando a necessidade de uma abordagem mais solidária e inclusiva.