O antigo Procurador-Geral da República, Júlio César Martins Tavares, poderá voltar a liderar a Procuradoria-Geral da República (PGR) se o Presidente da República, José Maria Neves, aceitar a proposta do primeiro-ministro, Francisco Carvalho. A nomeação, que já está nas mãos do Chefe de Estado, é para um mandato de cinco anos e Martins já foi Procurador entre 2008 e 2014, sendo conhecido pelo seu estilo interventivo e pelo combate à criminalidade económica. Contudo, a sua indicação não é consensual. Apesar de ser visto como uma figura capaz de restaurar a credibilidade da PGR, Martins enfrenta oposição de alguns membros da magistratura, especialmente devido a uma pena disciplinar aplicada em 2020. Nos últimos anos, ele esteve em Timor-Leste, onde trabalhou no setor da Justiça. Fontes indicam que a experiência de Martins e a sua abordagem independente podem ter influenciado a decisão do primeiro-ministro. A Associação Sindical dos Magistrados do Ministério Público (ASSIMP) expressou preocupações sobre a escolha do próximo PGR, defendendo que o novo líder deveria ser escolhido entre os magistrados do Ministério Público, o que foi interpretado como uma reserva em relação ao regresso de Martins. A situação é ainda mais crítica, dado que o atual Procurador-Geral, Luís José Landim, continua em funções apesar do término do seu mandato há dois anos, o que gerou críticas sobre a estabilidade institucional. A mudança na liderança da PGR é vista como urgente, especialmente após tensões recentes entre o Governo e a Procuradoria, intensificadas por acusações contra o primeiro-ministro relacionadas à sua gestão anterior na Câmara Municipal da Praia.