As formas de legitimação do poder em Cabo Verde mudaram ao longo do tempo, mas as redes de proximidade mantêm-se como um fator crucial na seleção e reprodução das elites dirigentes. A elite cabo-verdiana não se sustenta apenas pela riqueza, mas combina poder económico, instrução, função pública e prestígio familiar. Historicamente, a elite colonial invocava propriedade e comércio, enquanto a elite da Independência se baseava na memória da luta. A instrução desempenhou um papel fundamental na transformação da posição económica em autoridade social, com escolas e associações criando espaços de reconhecimento para a elite. Embora houvesse mobilidade social, esta era limitada, e a família continuava a transmitir bens e prestígio ao longo das gerações. A partir dos anos cinquenta, uma nova elite nacionalista emergiu, apresentando-se como a vanguarda capaz de dirigir o país, mas a ruptura política não foi completa, pois muitos dirigentes provinham da elite letrada colonial. Com a Independência, o Estado organizou a mobilidade social, concentrando empregos e carreiras, formando uma elite ligada ao partido único.