O caso de Amadeu Oliveira, um advogado conhecido por suas denúncias contra o sistema judicial, tornou-se um símbolo das tensões no Estado de Direito em Cabo Verde. Oliveira foi detido e condenado por sua atuação em um caso que envolveu a saída ilegal de um cliente do país, o que gerou divisões na opinião pública sobre sua conduta e a resposta das autoridades. As alegações de irregularidades no sistema judicial, feitas por Oliveira, criaram um ambiente de tensão institucional, levando a debates sobre a independência da justiça e a separação de poderes. A resposta do Estado, considerada desproporcional por muitos, incluiu a detenção e condenação de Oliveira, o que foi visto como uma forma de silenciar a dissidência interna. O artigo de José António dos Reis destaca a crise de confiança nas instituições, enfatizando que a situação não é nova, mas um reflexo de problemas mais profundos na justiça cabo-verdiana. A tentativa de criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o caso também evidenciou a fragilidade do sistema. A percepção de seletividade na aplicação da justiça e a ideia de que existem “freios manipulados” minam a base do Estado de Direito. O caso de Amadeu Oliveira expõe fissuras profundas na justiça e levanta questões sobre a legitimidade das decisões judiciais. A confiança nas instituições é fundamental, e quando essa confiança é abalada, as consequências são profundas. O caso ficará na memória coletiva não apenas pelas suas implicações jurídicas, mas pelo que revela sobre a sociedade cabo-verdiana, que se vê dividida entre a defesa das instituições e a necessidade de questioná-las. Para honrar as lutas pela construção do Estado de Direito, Cabo Verde precisa enfrentar suas contradições com coragem.