O julgamento de um diplomata belga, 65 anos após o assassínio de Patrice Lumumba, marca um momento significativo na busca por justiça. Lumumba, o primeiro primeiro-ministro do Congo, foi raptado e assassinado em 1961 por rebeldes apoiados pela Bélgica e pelos EUA, em circunstâncias que ainda chocam a consciência africana. Após a sua morte, o corpo de Lumumba foi dissolvido em ácido, simbolizando a brutalidade do colonialismo. O envolvimento dos Estados Unidos, através da CIA, na morte de Lumumba foi documentado por historiadores, com um ex-agente da CIA confirmando ordens de Washington para o assassínio. Em 2002, uma investigação parlamentar na Bélgica concluiu que o país tinha uma responsabilidade moral pela morte de Lumumba, devido ao apoio dado aos rebeldes que o executaram. O julgamento de Etienne Davignon, um antigo diplomata belga, é um passo importante na reparação histórica. Ele é o único responsável ainda vivo a ser julgado, enquanto os outros suspeitos já faleceram. Este caso reabre feridas históricas e levanta questões sobre a responsabilidade colonial na África.