Nos últimos anos, Cabo Verde tem testemunhado uma transformação do medo de um sentimento individual para um mecanismo estruturante do comportamento estatal. O artigo baseia-se em duas fontes principais que denunciam a fragilidade da separação de poderes e a crescente cultura de autoproteção judicial. A análise interdisciplinar proposta busca esclarecer como o medo se tornou uma arquitetura de poder, exemplificada pelo caso de Amadeu Oliveira, cuja condenação é vista como desproporcional. A reflexão sobre o medo institucional é aprofundada através das teorias de pensadores como Hannah Arendt, Michel Foucault, Montesquieu e Hobbes, que discutem a relação entre medo, poder e legitimidade.