A revista Claridade, que surgiu em Março de 1936 em Mindelo, São Vicente, foi criada por um grupo de jovens intelectuais liderados por Baltasar Lopes da Silva, num contexto de crise social e económica. A publicação visava abordar questões críticas como fomes e secas, e buscava uma estética literária local que pudesse denunciar os problemas enfrentados pela população. Apesar das dificuldades administrativas, a revista conseguiu partilhar as reflexões dos seus fundadores, que incluíam nomes como Manuel Lopes e Jorge Barbosa. Quase um século depois, a reflexão sobre o legado da Claridade é pertinente. A pergunta que se coloca é se as vozes dos claridosos foram ouvidas e se os problemas que eles destacaram foram resolvidos. O escritor Germano Almeida destaca que, embora os claridosos estivessem focados em Cabo Verde, havia uma falta de consciência sobre as questões globais da época, como o fascismo na Europa. Almeida acredita que, apesar de a independência ter sido alcançada, não foi diretamente em função das ideias dos claridosos, mas que indiretamente, suas preocupações ainda ressoam na sociedade cabo-verdiana atual. A análise do impacto da Claridade e do movimento literário que ela representou continua a ser um tema relevante para a literatura e a cultura do país.