O recente debate sobre o Relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre Cabo Verde, no âmbito da consulta do Artigo IV de 2025, revela a necessidade de um debate informado que separe análise técnica de construção política. O relatório apresenta uma visão positiva da economia cabo-verdiana, mas a discussão pública focou-se em um anexo sobre segurança social, criando uma narrativa de risco sistémico que não é suportada pelo documento. A partir do anexo técnico, surgiram interpretações errôneas, como a suposta intenção de aumentar a idade da reforma, que não está presente no relatório. Essa construção política parece ter como objetivo mobilizar apoio eleitoral, desviando-se do conteúdo real do documento. Além disso, a gestão dos ativos do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) foi associada a narrativas de desconfiança, simplificando uma questão que requer uma análise técnica mais profunda. O relatório do FMI sugere que o sistema de segurança social de Cabo Verde enfrenta desafios estruturais, mas também reconhece a sua relevância e a necessidade de uma gestão prudente. A análise do FMI recomenda ajustes graduais e uma diversificação dos investimentos do INPS para melhorar a rentabilidade dos fundos, destacando a importância de uma abordagem sistêmica que considere o impacto da gestão dos recursos na economia como um todo.