A Constituição de Cabo Verde, que deveria ser um reflexo da maturidade política e da identidade cultural do país, enfrenta um momento crítico que exige uma revisão profunda. O caso de Amadeu Oliveira, no contexto do processo de Arlindo Teixeira, evidencia a necessidade de um sistema que possua mecanismos de autocorreção e transparência. A filosofia política nos ensina que o poder humano é falível, e a Constituição deve reconhecer essa falibilidade para ser verdadeiramente eficaz. Comparando com democracias maduras como a Noruega, que possui uma Comissão de Revisão de Casos Criminais independente, Cabo Verde deve inspirar-se em modelos que permitam a reabertura de casos e correção de injustiças. A atual estrutura herdada de Portugal não atende mais às necessidades do país, e a Assembleia Nacional deve criar um órgão autônomo capaz de corrigir erros judiciais sem depender de outros poderes. Além disso, a revisão constitucional deve incluir a criação de uma Comissão Constitucional de Revisão Independente, que tenha autonomia e poderes para reabrir processos injustos. A reforma da administração pública também é essencial para garantir que o sistema seja mais próximo do cidadão e menos burocrático, refletindo a verdadeira morabeza crioula.