A reforma da segurança pública em Cabo Verde, focada na Polícia Nacional, é vista como um avanço estrutural, mas na prática, mostra-se como um ajuste burocrático sem mudanças significativas no modelo de segurança. A fusão das forças policiais resultou apenas em reorganizações internas, sem aproximar a polícia da população ou implementar uma lógica preventiva necessária para combater a violência urbana e a delinquência juvenil. A política de 'tolerância zero' adotada pelo governo tem se concentrado em operações pontuais, mas não ataca as raízes da criminalidade. Nas áreas periféricas da Praia, a violência e a delinquência continuam a aumentar, enquanto a desigualdade social e a urbanização desordenada permanecem sem atenção. Essa abordagem cria uma ilusão de segurança, distanciando ainda mais a população do Estado. Uma reforma transformacional requer um novo modelo organizacional da Polícia Nacional, que distribua recursos de forma equitativa e atenda às necessidades específicas de cada bairro. O policiamento comunitário e a prevenção situacional do crime devem ser integrados com políticas sociais e urbanísticas, impactando positivamente a qualidade de vida da população. Proteger a população vai além da repressão; a Polícia Nacional deve ser um agente ativo na construção de condições sociais seguras. Até que essa abordagem seja implementada, as promessas de 'tolerância zero' permanecerão vazias, enquanto a vulnerabilidade nas comunidades periféricas da Praia persistir.

Sociedade
Reforma do Estado e Desafio da Segurança Transformacional em Cabo Verde
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