A história política das democracias modernas é marcada por líderes que, após longos períodos no poder, enfrentam crises de legitimidade e isolamento. Atualmente, o Movimento para a Democracia (MpD) em Cabo Verde vive um momento crítico, com deserções de figuras importantes e tensões entre gerações políticas, colocando Ulisses Correia e Silva no centro dessa crise. Desde que assumiu o poder em 2016, sua liderança foi inicialmente vista como uma oportunidade de coesão, mas agora, com as eleições de 2026 se aproximando, fissuras internas estão se manifestando. A recente remodelação governamental e a redefinição da lista para Santiago Sul indicam uma desvalorização de Olavo Correia, que, apesar de ser vice-primeiro-ministro, foi colocado em um papel secundário. Isso, juntamente com a inclusão de novos aliados, sugere uma estratégia deliberada de recomposição interna, mas também revela uma fragilidade na base territorial do MpD, que está perdendo enraizamento entre os militantes locais. A saída de figuras influentes como Mércia Delgado e Paulo Veiga não é um fenômeno isolado, mas sim um sinal de uma crise de autoridade dentro do partido. A migração de líderes seniores para outras formações, como a UCID, reflete uma resposta à saturação interna do MpD, indicando uma transformação que vai além do descontentamento e se adentra na disputa pela legitimidade política.