Os vetos do presidente da República, José Maria Neves, à Lei Orgânica da Assembleia Nacional e ao diploma de ingresso excecional na Administração Pública foram interpretados como uma confirmação das preocupações levantadas pelo PAICV. O partido, ao longo do processo legislativo, expressou a sua insatisfação com a falta de escrutínio e as fragilidades jurídicas dos diplomas, recusando-se a ser cúmplice na sua aprovação. Desde o início, o PAICV optou por não participar na votação da nova Lei Orgânica, considerando que não havia condições adequadas para um escrutínio rigoroso. A vice-presidente do Grupo Parlamentar, Carla Lima, destacou a falta de transparência e as dúvidas sobre a constitucionalidade do diploma, o que levou o partido a considerar recorrer ao Tribunal Constitucional. A ausência de informações essenciais, como a lista nominal dos funcionários beneficiados pela nova lei, foi um ponto crítico levantado pelo PAICV. A falta de acesso a dados fundamentais comprometeu a transparência do processo legislativo e limitou o exercício do mandato parlamentar, segundo Carla Lima. Além disso, o PAICV expressou preocupações sobre a possibilidade de decisões discricionárias na integração de trabalhadores, uma vez que a nova lei permite a estabilização de vínculos sem concurso público. O partido defende que, em um período pré-eleitoral, deveria prevalecer a prudência institucional e a transparência nas decisões legislativas.