A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou para a grave situação de insegurança alimentar no Haiti, onde 5,7 milhões de pessoas estão a sofrer de insegurança alimentar aguda. Durante uma conferência de imprensa em Nova Iorque, Edem Wosornu, diretora da divisão de resposta a crises do Gabinete para a Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA), destacou que mais de metade da população do país, estimada entre 11,9 e 12 milhões, necessita de assistência humanitária. A crise no Haiti é exacerbada por uma situação social, política e económica instável, marcada pela violência de gangues criminosos. Dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos indicam que pelo menos 5.519 mortes foram registadas devido a atos violentos entre março de 2025 e janeiro deste ano. A ONU está a apoiar uma missão multinacional no país para fortalecer a polícia local no combate à violência. A representante da ONU enfatizou a necessidade urgente de financiamento humanitário, pois as famílias estão a deixar de fazer refeições e as crianças estão a abandonar a escola. A situação é ainda mais alarmante com o aumento da violência de género, onde muitas mulheres e meninas são vítimas de abusos. O apelo da ONU é claro: os haitianos não querem esmolas, mas sim a oportunidade de reconstruir as suas vidas e parar com as deslocações forçadas.