Hélio Africano Querido Varela expressa suas preocupações sobre as políticas digitais em Cabo Verde, apontando a discrepância entre a retórica de transformação digital e as decisões práticas do governo. A aprovação de um financiamento de 37 milhões de euros para a Cabo Verde Telecom, destinado à modernização de sua infraestrutura, é vista como um passo que consolida um monopólio no setor, em vez de promover a concorrência. O autor destaca a importância da concorrência para o desenvolvimento digital, citando estudos da OCDE que reforçam essa necessidade. Varela argumenta que a privatização da Cabo Verde Telecom, embora desejável, não pode ocorrer enquanto a empresa controla ativos críticos de infraestrutura. Ele menciona o histórico conflito entre a CVTelecom e a Unitel T+ pelo acesso à rede submarina, que evidencia a necessidade de uma separação estrutural para garantir um mercado competitivo. A solução atual, que prevê uma separação funcional, é considerada insuficiente, pois mantém os mesmos interesses e incentivos dentro da empresa. O autor conclui que, sem uma abordagem regulatória sensível e eficaz, Cabo Verde corre o risco de estagnar seu desenvolvimento digital, arrastando o país para um futuro incerto. A conectividade é vista como a base do progresso, e a falta de um ambiente competitivo pode levar a consequências negativas para a economia e a sociedade.