Em 25 de março de 2026, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou uma resolução que classifica a escravização de africanos como o crime mais grave contra a humanidade. Esta declaração não apenas condena o passado, mas também exige reparações e a restituição de bens culturais, destacando a necessidade de ações concretas. Para Cabo Verde, cuja história está profundamente ligada ao tráfico de escravos, essa resolução representa um marco simbólico que deve ser transformado em ação. Apesar da criação do Comité Nacional da 'Rota do Escravo', as pesquisas sobre o legado da escravidão em Cabo Verde ainda são limitadas. A literatura existente foca mais na identidade cabo-verdiana e menos em questões centrais como raça e classe, que são fundamentais para entender o impacto da escravidão na sociedade atual. A economia e a demografia do país foram moldadas pelo tráfico humano, e a Cidade Velha, reconhecida como Patrimônio Mundial da UNESCO, serve como um testemunho físico dessa história. A interpretação turística da Cidade Velha frequentemente ignora a brutalidade do tráfico, apresentando uma narrativa que dissocia a beleza arquitetônica da violência histórica. É crucial que Cabo Verde enfrente essa realidade e utilize sua história como um laboratório para a educação pública sobre a escravidão e suas consequências contemporâneas. A sociedade cabo-verdiana deve confrontar as lógicas coloniais que ainda operam em suas relações e identidades, reconhecendo a importância da resolução da ONU como um passo em direção à reparação e à justiça social.