Em Cabo Verde, a alternância de poder em cargos públicos é frequentemente marcada por resistência e conflitos, refletindo uma fragilidade na cultura política. A dificuldade em aceitar o fim de funções políticas está ligada à confusão entre o cargo e a identidade pessoal dos ocupantes, que muitas vezes veem a saída como uma derrota. Essa relação distorcida com o serviço público impede a renovação e cristaliza estruturas que deveriam ser dinâmicas. Além disso, a permanência excessiva em cargos é frequentemente justificada por argumentos como experiência e continuidade, mas isso pode servir mais a interesses pessoais do que ao bem comum. A resistência em deixar funções temporárias revela uma incapacidade de lidar com a transitoriedade, o que fragiliza os partidos e empobrece o debate público. A qualidade das instituições democráticas deve ser medida não apenas pela forma como se chega ao poder, mas também pela forma como se sai. A aceitação do fim das funções públicas é um sinal de maturidade política e um reconhecimento de que o interesse público deve prevalecer sobre ambições individuais.