Cabo Verde é um país politicamente estável com uma diáspora rica e um setor turístico em crescimento. No entanto, o verdadeiro problema reside na forma como os recursos circulam entre as ilhas e os agentes econômicos, o que impacta diretamente o desenvolvimento. A circulação de bens e capitais é frequentemente marcada por atrasos e incertezas, resultando em custos elevados que não são discutidos adequadamente. Isso cria um ambiente onde a distância se torna uma barreira econômica, em vez de uma simples questão geográfica. As remessas da diáspora, por exemplo, tendem a se concentrar no setor imobiliário, não por preferência, mas pela facilidade de gestão à distância. O investimento produtivo, que requer uma coordenação constante e previsibilidade, é prejudicado pela fragmentação do mercado. No turismo, a integração com a produção local é limitada, o que demonstra que as cadeias globais operam com mais eficiência em comparação com o sistema interno. Esses desafios revelam um padrão recorrente: a complexidade na ligação de pessoas, bens e capitais resulta em custos adicionais e, muitas vezes, em poder concentrado nas mãos de poucos. Os mecanismos de passagem, como transportes entre ilhas e acesso ao crédito, tornam-se pontos de controle econômico. Portanto, a economia da fricção não é apenas uma questão técnica, mas uma questão de distribuição de poder econômico, onde a eficiência está intimamente ligada ao desenvolvimento.