Cabo Verde está a viver um momento decisivo na sua economia, impulsionado pelo anúncio do Fundo Morabeza para a Inovação, que conta com um investimento inicial de 24 milhões de euros. Este fundo tem como objetivo transformar a economia digital do arquipélago, que até agora tem sido marcada por um isolamento tecnocrático. A nova governação liderada pelo Primeiro-Ministro Francisco Carvalho propõe uma reconfiguração do fundo, enfatizando a necessidade de integrar a tecnologia no setor primário, que inclui a agricultura, a pesca e a pecuária. O setor primário é vital para a economia de Cabo Verde, representando cerca de 15% do emprego total, mas contribui com menos de 5% para o PIB devido à sua vulnerabilidade climática e fraca mecanização. A dependência externa é alarmante, com o país a importar mais de 80% dos produtos alimentares que consome. A proposta é que o Fundo Morabeza financie inovações que melhorem a produtividade e a sustentabilidade, como sistemas de micro-irrigação e tecnologias de identificação eletrónica para o gado. Além disso, a economia do mar também precisa de inovação, com a pesca artesanal a beneficiar de tecnologias que reduzam o desperdício e aumentem a segurança e rentabilidade dos pescadores. A integração entre a produção nacional e o turismo é essencial para o desenvolvimento sustentável do país, e o Fundo Morabeza pode desempenhar um papel crucial nesse processo.