A médica Maria Moreno alertou que o medo, o preconceito social e a falta de confiança no sigilo clínico continuam a afastar adolescentes e jovens do rastreio e tratamento das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Apesar da formação dos profissionais de saúde, a confiança dos utentes permanece um desafio central, especialmente entre os mais jovens, que muitas vezes evitam os centros de saúde devido à preocupação com a confidencialidade das suas informações clínicas. Moreno destacou que a percepção de falta de sigilo leva muitos jovens a procurar serviços de saúde em áreas diferentes das suas residências. Isso, por sua vez, compromete o diagnóstico precoce e a eficácia do tratamento. A médica também enfatizou a importância das campanhas de sensibilização realizadas pelas instituições de saúde e associações comunitárias para aumentar a literacia em saúde e prevenir doenças. Além disso, a especialista defendeu a necessidade de um debate público mais aberto sobre saúde sexual e reprodutiva para reduzir o estigma e aproximar os jovens dos serviços de saúde. Apesar das dificuldades, a vigilância epidemiológica em Cabo Verde ainda apresenta limitações, mas é crucial para a monitorização das ISTs, incluindo o VIH, que continua a ser uma preocupação em saúde pública no país.