A oposição ao governo da Guiné-Bissau expressou forte indignação contra a Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO), acusando-a de ingerência inaceitável nos assuntos internos do país. A crítica foi desencadeada por declarações do chefe da diplomacia da Serra-Leoa, Timothy Kabba, que anunciou que a nova Constituição do país seria submetida a referendo, sem consultar as autoridades locais. A diretoria da candidatura de Fernando Dias da Costa, que reivindica a vitória nas eleições presidenciais, repudiou essas declarações, considerando-as uma violação da soberania guineense. Além disso, a oposição argumenta que a CEDEAO não tem legitimidade para intervir em processos constitucionais da Guiné-Bissau, enfatizando que a soberania do país não deve ser negociada ou delegada a emissários estrangeiros. A nova Constituição, aprovada pelo Conselho Nacional de Transição (CNT), foi apresentada como um reforço dos poderes do presidente, o que gerou ainda mais controvérsia sobre a sua legitimidade e aceitação popular. As Forças Armadas Revolucionárias do Povo (FARP) da Guiné-Bissau também se manifestaram, anunciando que uma proposta de Lei do Referendo foi aprovada por unanimidade, aguardando agora a promulgação pelo presidente de transição. A situação política na Guiné-Bissau continua tensa, especialmente após o golpe de Estado de novembro de 2025, que resultou na suspensão do país de várias organizações internacionais, incluindo a CEDEAO.