A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) expressou hoje sua condenação à criminalização do jornalismo na Tunísia, solicitando à ONU que intervenha contra os ataques sistemáticos à liberdade de imprensa. Em um comunicado, os RSF alertaram para o aumento de processos contra jornalistas em um contexto de repressão crescente. O caso do jornalista Mourad Zeghidi, detido desde maio de 2024, é um exemplo emblemático dessa situação, onde ele foi acusado de divulgar 'rumores e notícias falsas' sob um decreto-lei que prevê penas severas. Os RSF enfatizam que o caso de Zeghidi não é isolado, mas reflete uma tendência alarmante de criminalização do jornalismo no país. A organização enviou uma comunicação ao relator especial da ONU para a liberdade de expressão, documentando as violações da liberdade de imprensa e expressando preocupação com o uso frequente de disposições penais para processar jornalistas. O apelo à ONU surge em um momento em que a repressão sobre vozes dissidentes tem se intensificado desde que o presidente Kais Saied assumiu plenos poderes em 2021. Além disso, a RSF destaca outros casos de jornalistas condenados, como Haythem Mekki e Zied El Heni, que enfrentaram penas de prisão por suas atividades jornalísticas. A situação na Tunísia é descrita como uma deterioração contínua da liberdade de imprensa, com o país ocupando a 137.ª posição no Índice Mundial da Liberdade de Imprensa de 2026. A organização apela por ações concretas para garantir a libertação dos jornalistas processados por suas atividades profissionais.