Recentemente, o Procurador-Geral da República (PGR) fez uma declaração polêmica ao afirmar que a escolha de um PGR por concurso público seria 'impossível'. Esta afirmação não só ignora a possibilidade de um processo transparente, como também revela uma resistência ao escrutínio democrático. O PGR argumenta que a competência não é o critério central para a seleção, mas sim um 'perfil' subjetivo, o que contraria princípios fundamentais da Constituição de Cabo Verde. Além disso, a visão do PGR sobre a função pública parece ser corporativa e antidemocrática, desvalorizando a competência técnica em favor de critérios internos não transparentes. Isso levanta preocupações sobre a falta de imparcialidade e a necessidade de um sistema de seleção que permita a participação pública e a transparência. A declaração do PGR também demonstra uma leitura incompleta da Constituição, que não proíbe concursos públicos e permite ao Parlamento legislar sobre a seleção de titulares de cargos públicos. A resistência a um concurso público, por receio de que candidatos competentes possam ser escolhidos, revela um problema no sistema que o PGR deseja preservar, e não no próprio concurso. Por fim, é importante lembrar que concursos públicos já são utilizados em diversas áreas em Cabo Verde e em outros países, o que demonstra que a escolha de titulares de cargos públicos pode e deve ser revisitada. A confusão entre 'não quero' e 'não posso' é um erro que pode encerrar um debate crucial sobre a transparência e a legalidade na administração pública.