O primeiro-ministro de Cabo Verde, Francisco Carvalho, fez acusações contundentes ao antigo Governo do MpD, afirmando que este enganou o Fundo Monetário Internacional (FMI) ao não revelar a verdadeira extensão da derrapagem orçamental. Durante a apresentação do Orçamento Rectificativo no parlamento, Carvalho destacou que a despesa prevista pelo Governo anterior era de cerca de 96 mil milhões de escudos, mas ao assumir o cargo, encontrou uma execução orçamental já superior a 104 mil milhões de escudos, resultando numa diferença de oito mil milhões de escudos. Carvalho argumentou que este aumento não foi causado por ações do atual Governo, mas sim por decisões tomadas pelo MpD antes e após as eleições, que, segundo ele, levaram a uma dilapidação dos recursos do Estado. O primeiro-ministro enfatizou a necessidade de garantir o rigor das contas públicas e de reorganizar os recursos disponíveis de acordo com as prioridades do país, dadas as circunstâncias encontradas. Além disso, Carvalho criticou o Instituto Nacional de Estatística (INE) por produzir dados falsos que contribuíram para que a derrapagem orçamental não fosse detectada. Ele afirmou que a falta de identificação da situação pelo FMI é um reflexo do engano perpetrado pelo Governo anterior, que conseguiu ocultar a realidade financeira do país durante a sua avaliação.