O artigo discute a reação de um antigo primeiro-ministro à retirada de uma viatura do Estado, destacando que o problema reside na conceção de poder público. A normalidade democrática exige que, ao terminar um cargo, também se encerre a relação privilegiada com o Estado. O autor argumenta que Cabo Verde deve evitar a confusão entre honra institucional e privilégio pessoal, enfatizando que o Estado pertence aos cidadãos e não deve sustentar aqueles que já exerceram funções públicas. A dignidade de um estadista é medida pela forma como deixa o poder, e a sociedade deve reconhecer que afastar-se da política não é uma derrota, mas sim uma demonstração de maturidade republicana.