A compra de consciência eleitoral e de votos não é um fenómeno novo em Cabo Verde, manifestando-se ao longo das décadas através de diferentes formas de dependência económica. A prática, que muitas vezes não envolve a compra direta de votos, cria relações de dependência entre cidadãos e benefícios recebidos, associando a escolha eleitoral a expectativas de benefícios. A situação tornou-se particularmente preocupante nas últimas eleições legislativas, onde a expansão de benefícios sociais e a distribuição de apoios, muitas vezes próximos do ato eleitoral, reacenderam a discussão sobre a linha entre a utilização legítima de políticas públicas e a instrumentalização eleitoral. A análise dos resultados das eleições de 17 de maio de 2026 revela que a legitimidade do vencedor se baseou no apoio de apenas 21,8% dos recenseados, destacando a importância de transferências dirigidas em um sistema onde a alternância pode ser decidida por poucos votos.