A analista política Ana Carolina Evangelista considera que a religião tem uma influência no voto no Brasil, mas não determina as escolhas eleitorais de forma isolada. Ela defende uma análise que não trate católicos e evangélicos como blocos homogêneos. A pesquisa nacional 'Religião e Vida Pública no Brasil', realizada pelo ISER em parceria com a Quaest, revela que fatores como raça, género, escolaridade, rendimento e região alteram comportamentos e posições políticas entre pessoas da mesma religião. Embora o Brasil tenha 50% de católicos e 29% de evangélicos, a pesquisa indica que a religião não explica sozinha as posições sobre segurança pública. A analista destaca que a chamada 'pauta de costumes' aproximou setores católicos e evangélicos em temas como aborto e direitos sexuais. Ela também menciona que a identificação de setores evangélicos com o bolsonarismo ganhou força desde 2018, mas que a aproximação política entre setores religiosos e a direita é anterior ao ex-Presidente brasileiro. A Frente Parlamentar Evangélica foi formalizada em 2004, apresentando-se como uma organização de oposição a um Governo de esquerda. Evangelista conclui que a agenda moral criou dificuldades para a esquerda dialogar com parte do eleitorado religioso.