O texto analisa o conceito de poder sistémico à luz da economia política internacional contemporânea, articulando três dimensões interligadas: geopolítica, geoeconomia e geoestratégia. A interdependência, antes vista como fonte de prosperidade, é agora considerada um canal de vulnerabilidade assimétrica, transformando a economia em um domínio de confrontação estratégica. A análise destaca os desafios que essa reconfiguração impõe à decisão política em um contexto de desordem estratégica e erosão do multilateralismo. A realidade atual, marcada por eventos como a invasão da Ucrânia e a competição tecnológica, revela uma ruptura profunda na confiança na interdependência como mecanismo estabilizador. O texto conclui que a globalização se reorganiza segundo critérios que combinam eficiência com autonomia estratégica, sem uma reversão completa, mas sim uma realocação das cadeias de abastecimento.