À medida que se aproxima a eleição presidencial de 15 de novembro, o debate público endurece. O uso do estatuto familiar como instrumento de insinuação ou desprezo é considerado inaceitável. A união de facto do Presidente da República é uma forma de família reconhecida pela lei cabo-verdiana e equiparada ao casamento formalizado. Esta realidade é resultado de reformas sociais importantes que visam devolver dignidade jurídica à família cabo-verdiana. Durante o colonialismo, muitas famílias viviam em comunhão de vida, mas sem proteção legal. A legislação de 1976 e o Código da Família de 1981 estabeleceram a igualdade entre cônjuges e reconheceram todos os filhos como iguais perante a lei, independentemente do estado civil dos pais.