A chegada de um novo ATR 72-600 a Cabo Verde é uma boa notícia, pois o país precisa de maior capacidade e previsibilidade nas ligações aéreas interilhas. No entanto, a tentativa de usar essa chegada para reescrever a política de transportes dos últimos nove anos é contestada. O ex-Primeiro-Ministro sugere que a aeronave é prova de continuidade do Estado, mas a realidade é diferente. A aeronave foi adquirida em regime de locação operacional, e não comprada. Além disso, o contrato relativo ao ATR depende de garantias soberanas concedidas pelo atual Governo, o que implica novas decisões legais e financeiras. Portanto, embora haja continuidade, isso não deve ser interpretado como uma absolvição política da gestão anterior.