Sempre que um crime violento acontece em Cabo Verde, a reação da sociedade é quase imediata, exigindo penas mais severas e criticando a atuação da Polícia Nacional, o Ministério Público e os Tribunais. No entanto, raramente se questiona o momento em que começou a nascer o comportamento que levou o indivíduo a cometer o crime. O artigo argumenta que o crime raramente começa no dia em que é praticado e que, antes de existir um arguido, normalmente existiu uma criança. A falta de acompanhamento, limites claros e referências positivas pode levar a comportamentos de risco que, se não forem abordados, podem culminar em crimes. A sociedade, ao exigir ação das instituições de justiça, muitas vezes ignora que estas não podem corrigir falhas que ocorreram ao longo dos anos. A responsabilização exclusiva da Justiça pela criminalidade é uma visão simplista de um problema complexo que envolve múltiplas dimensões sociais.
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Estamos a fabricar criminosos e depois culpamos apenas a justiça

