A obra de Virgílio Pires é um território literário ainda por explorar. O escritor natural da Praia será homenageado na 14ª edição do Encontro de Escritores de Língua Portuguesa, a realizar na Praia, hoje e amanhã. Autor de contos breves, mas de grande densidade humana, a sua literatura fala de pobreza e esperança, de partida e pertença, de sofrimento e dignidade. Para os seus admiradores, é justamente nessa capacidade de fazer do pequeno drama individual uma expressão de uma experiência colectiva que reside uma das razões para recuperar, ler e estudar Virgílio Avelino Pires. Nascido a 25 de Abril de 1935, na cidade da Praia, ele fez os seus estudos primários na ‘Escola Grande’, na Praia, entre 1942 e 1947. A juventude em Santa Catarina alimentou o imaginário de grande parte dos cenários, personagens e histórias dos seus contos. Após o liceu, ingressou na função pública e viveu em várias localidades, incluindo Angola, onde trabalhou como administrador de posto. A separação da mulher e de dois filhos deixou marcas profundas na sua vida, refletidas em sua poesia. Após a independência de Angola, ele retornou a Cabo Verde, mas partiu para Portugal desiludido com a situação política.