O artigo analisa a contradição na escolha de líderes em democracias, questionando se os cidadãos escolhem um governante ou alguém em quem depositam esperança. Discute o messianismo político, onde a confiança no líder se transforma em crença na sua excecionalidade, e o autoritarismo eleitoral, que não abolindo eleições, restringe a competição livre. A combinação de ambos pode resultar em uma democracia paradoxal, onde o povo é convocado a escolher, mas desencorajado a discordar. A reflexão é direcionada a Cabo Verde, enfatizando a necessidade de preservar o pensamento independente e a crítica pública na cultura política.