A literatura cabo-verdiana e a morna partilham uma matriz cultural e estética, numa ligação que subsiste independentemente das diferentes perspetivas sobre questões identitárias. A morna é entendida como um 'facto social total', onde convergem dimensões estéticas, políticas, económicas, identitárias e migratórias. A música cabo-verdiana expressa e mobiliza instituições religiosas, jurídicas, morais e estéticas, sendo um fenómeno que envolve a família, a religiosidade, os circuitos económicos e a estética. A análise sociológica da música deve partir do material musical e da sua historicidade, considerando a receção como um momento culminante do processo musical. A morna, como fenómeno complexo e pluridimensional, é vista como uma 'efervescência criadora', onde novas formas de expressão emergem.