A crise no Golfo Pérsico, que já dura 68 dias, está a ter consequências severas na economia global. O bloqueio do Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o transporte de combustíveis fósseis e outros produtos, está a afetar a produção de energia, fertilizantes e até chips para computadores. O Banco Mundial prevê aumentos significativos nos preços da energia e dos fertilizantes, o que poderá levar a uma nova crise de abastecimento semelhante à que se viveu durante a pandemia de Covid-19. A situação é ainda mais complicada pelas tensões geopolíticas que estão a forçar países a rearranjar as suas relações comerciais. Recentemente, Singapura e Nova Zelândia assinaram um pacto para garantir a circulação normal de bens, numa tentativa de mitigar os efeitos do bloqueio e assegurar o fornecimento de produtos críticos. A resistência do regime iraniano aos ataques dos EUA e de Israel revela a complexidade do conflito, onde a guerra assimétrica tem mostrado ser uma estratégia eficaz. Contudo, a falta de um acordo de paz duradouro perpetua os conflitos e as suas consequências, que vão além das fronteiras do Irão, afetando a estabilidade global e a confiança nas relações comerciais entre países. Com a prolongação da crise, os efeitos devastadores do aumento de preços e da escassez de produtos críticos vão-se intensificar. A necessidade de novos arranjos nas cadeias de abastecimento e acordos de salvaguarda torna-se cada vez mais urgente, à medida que a economia mundial enfrenta um futuro incerto.