Um novo relatório da UNICEF revela que a desigualdade económica está diretamente ligada a piores condições de saúde e desempenho académico entre crianças em países ricos. O documento, intitulado 'Boletim 20: Oportunidades Desiguais: Infância e Desigualdade Económica', analisa a situação em 44 países da OCDE e conclui que a desigualdade de rendimentos e a pobreza infantil permanecem elevadas. Em média, as famílias nos 20% mais ricos ganham mais de cinco vezes do que as mais pobres, e quase uma em cada cinco crianças vive na pobreza, o que compromete suas necessidades básicas. O relatório aponta que Portugal ocupa a 25.ª posição em termos de desigualdade de rendimentos, com o quintil mais alto ganhando 5,48 vezes mais que o mais baixo. Além disso, revela que crianças em países com maior desigualdade têm 1,7 vezes mais probabilidade de estarem acima do peso, refletindo a má qualidade dos alimentos disponíveis. A saúde das crianças também é afetada, com apenas 58% das crianças de famílias no quintil mais baixo reportando saúde muito boa, em comparação com 73% no quintil mais alto. As disparidades educacionais também são alarmantes, com crianças em países mais desiguais apresentando 65% mais chances de abandonar a escola sem habilidades básicas de leitura e matemática. O relatório conclui que é imperativo que os governos implementem políticas que abordem a desigualdade, como melhorias nas redes de proteção social e investimentos em infraestrutura e educação nas comunidades mais desfavorecidas.