A nova legislatura em Cabo Verde, ainda em seus primórdios, já demonstra sinais de tensões que podem afetar sua dinâmica nos próximos cinco anos. A presidente da Assembleia Nacional tentou rebatizar a instituição como 'Casa do Povo', evocando ideais de democracias populares, o que levanta questões sobre a representatividade dos deputados e a necessidade de uma democracia participativa. As consequências de desrespeitar as regras democráticas podem levar ao descrédito da instituição e à necessidade de maior participação política e social. Outro ponto crítico é a relação entre o governo e a Assembleia Nacional. O governo, que é responsável perante o parlamento, deve apresentar seu programa de governo dentro de um prazo estipulado pela Constituição. No entanto, a pressa em marcar a discussão do programa para um único dia levanta preocupações sobre a falta de tempo para um debate adequado e a construção de um consenso político. A falta de experiência parlamentar do primeiro-ministro e de muitos ministros pode dificultar a dinâmica necessária para um funcionamento eficaz do sistema. O debate e a negociação são essenciais para a concretização das competências legislativas e de fiscalização política, e não aproveitar essas oportunidades pode fragilizar o sistema político em Cabo Verde.